MMOS: MMO Simulator parte de uma ideia que parece simples, mas muda completamente a lógica tradicional dos MMORPGs. Aqui, o jogador não assume o papel de um guerreiro, mago ou aventureiro em busca de equipamentos raros. Ele é quem cria o mundo, define suas regras e observa centenas de personagens virtuais tentando viver dentro dele.
Desenvolvido pelo criador independente Babak, em Birmingham, no Reino Unido, o projeto mistura elementos de simuladores de gestão com sistemas normalmente encontrados em grandes MMORPGs. A inspiração em títulos como RollerCoaster Tycoon fica evidente na proposta de construir, administrar e acompanhar um ecossistema que ganha vida por conta própria.
Um MMORPG em que você controla o outro lado da tela
A grande diferença de MMOS: MMO Simulator está justamente na mudança de perspectiva.
Em vez de explorar uma masmorra, o jogador pode construí-la. Em vez de procurar uma espada rara, pode decidir quais atributos ela terá e quais monstros serão capazes de entregá-la.
Também é possível criar zonas, classes, inimigos, missões, equipamentos, raids e sistemas econômicos. Até elementos como casas de leilões e preços de assinatura fazem parte da administração.
Depois que essas peças são colocadas no mundo, os aventureiros simulados entram em cena.
Esses personagens podem ganhar níveis, formar grupos, criar guildas, procurar equipamentos melhores e negociar entre si. A economia não existe apenas como um número em uma tela. Os próprios habitantes virtuais compram, vendem, acumulam riqueza e podem acabar sem dinheiro dependendo de tudo o que foi criado ao redor deles.
É justamente aí que MMOS: MMO Simulator começa a se aproximar mais de um experimento social virtual do que de um simples construtor de mapas.
Guildas, raids e PvP tornam a simulação ainda mais ambiciosa
O projeto também vem crescendo rapidamente.
A atualização 0.7 Alpha, publicada no fim de agosto, adicionou raids capazes de reunir dezenas de aventureiros e introduziu os chamados Content Packs, permitindo exportar elementos criados pelo jogador, como itens, classes, monstros, missões, masmorras e raids.
Poucas semanas depois, a versão 0.8 Beta ampliou ainda mais a proposta com arenas, campos de batalha, temporadas ranqueadas, disputas territoriais, rivalidades entre guildas e novas formas de PvP. Os habitantes virtuais também ganharam fóruns internos, permitindo acompanhar discussões sobre o próprio MMO criado pelo jogador.
Na prática, isso significa que o mundo deixa de ser apenas um cenário montado pelo usuário e começa a apresentar comportamentos cada vez mais próximos daqueles vistos em comunidades reais de jogos online.
Um item extremamente poderoso pode virar objeto de desejo. Uma guilda pode estabelecer uma rotina de raids. Facções podem disputar território. Jogadores simulados podem se organizar em torno de objetivos específicos.
Tudo acontece dentro de um MMORPG que, ironicamente, não precisa de milhares de pessoas reais conectadas.
A sensação é de administrar um MMO vivo
Essa combinação talvez seja o maior trunfo de MMOS: MMO Simulator.
O jogo aproveita algo que sempre fez parte da história dos MMORPGs: os mundos virtuais acabam sendo moldados tanto pelos desenvolvedores quanto pelos próprios jogadores.
A diferença é que, aqui, toda essa dinâmica vira parte da simulação.
Criar um mapa interessante não basta. É preciso pensar em progressão, economia, recompensas, retenção dos jogadores virtuais e nas consequências que cada sistema pode provocar.
A página oficial na Steam resume a proposta como um simulador de gerenciamento para um jogador no qual é possível construir um MMO de fantasia, criar classes, loot e raids e acompanhar aventureiros formando guildas e perseguindo itens raros. A demo continua disponível atualmente.
MMOS: MMO Simulator aposta em uma fantasia diferente
Enquanto boa parte dos jogos de fantasia tenta convencer o jogador de que ele é o herói escolhido para salvar o mundo, MMOS: MMO Simulator oferece uma fantasia bem diferente.
Você é quem decide que mundo esses heróis terão para salvar.
É uma mudança pequena na teoria, mas enorme na prática. Para quem cresceu acompanhando economias quebradas, disputas entre guildas, raids intermináveis e histórias inesperadas surgindo dentro de MMORPGs, a possibilidade de observar tudo isso nascer dentro de uma simulação tem um apelo bastante particular.
Ainda em desenvolvimento, MMOS: MMO Simulator parece interessado justamente nessa fronteira entre jogo de gestão e mundo virtual. E quanto mais sistemas são adicionados, mais interessante fica a ideia de descobrir não apenas que tipo de MMO alguém consegue criar, mas também o que seus habitantes virtuais farão quando finalmente entrarem nele.
Jornalista especializado em gamers. Comecei jogando Gunbound, Tibia, Priston Tale, 2Moons Online, Pirates Online, Gonzuu Online, Trickester Online, Priston Tale, Cabal Online, Tree of Savior, entre tantos outros. Já trabalhou nos maiores portais de jogos do Brasil sobre MMORPG.
