Um update inesperado movimentou o universo de Guild Wars nesta semana. O patch de 5 de fevereiro de 2026 trouxe dois anúncios de peso: um amplo balanceamento de habilidades — algo raro na história recente do jogo — e o início da implementação de uma nova loja in-game baseada no Steam.
Para veteranos e curiosos, é uma daquelas atualizações que mexem com a memória afetiva e, ao mesmo tempo, apontam para o futuro do clássico da ArenaNet.
Um jogo lendário que quase nunca mexia no equilíbrio
Mesmo após tantos anos, Guild Wars sempre foi conhecido por um meta relativamente estável. A própria equipe admitiu, ao longo do tempo, que evitar mudanças profundas em habilidades fazia parte da filosofia do jogo — balancear corretamente exigia conhecimento quase enciclopédico de centenas de skills.
E foi justamente aí que a história tomou um rumo curioso.
Um ex-desenvolvedor voltou… por iniciativa própria
O grande destaque do patch vem de um nome conhecido pelos fãs mais atentos: Isaiah Cartwright, ex-funcionário da ArenaNet. Segundo o estúdio, ele ainda mantinha todo o conhecimento necessário sobre o sistema de habilidades e, de forma voluntária, se ofereceu para realizar um balanceamento completo.
A ideia foi clara: garimpar as habilidades menos usadas do jogo e torná-las viáveis, sem destruir o meta principal. O trabalho contou com apoio de Richard Foge para implementação técnica.
O resultado é um dos maiores passes de balanceamento já vistos no jogo.
Buffs, ajustes e novas possibilidades em praticamente todas as profissões
Quase todas as classes receberam atenção direta. Warrior, Ranger, Monk, Mesmer, Necromancer, Elementalist, Assassin, Ritualist, Paragon e Dervish tiveram dezenas de habilidades retrabalhadas, com foco em:
- Redução de custos de energia
- Diminuição de tempos de recarga
- Aumento de duração de efeitos
- Melhoria de escalonamento de dano e utilidade
No caso dos Rangers, por exemplo, praticamente todos os espíritos receberam aumento massivo de duração e alcance, tornando builds antes esquecidas novamente atraentes. Já Monks e Mesmers ganharam ajustes pensados para dar espaço a elites pouco exploradas, sem enfraquecer as mais populares.
A sensação geral é de que o jogo ficou mais aberto à experimentação, algo que muitos jogadores pediam há anos.
Comunidade reage com surpresa — e empolgação cautelosa
Nas discussões da comunidade, o sentimento predominante foi de surpresa. Muitos jogadores não esperavam ver um balanceamento desse tamanho em pleno 2026, muito menos assinado por um ex-desenvolvedor retornando de forma quase “fantasma”.
Ao mesmo tempo, há curiosidade sobre como o meta vai se adaptar, especialmente em conteúdos competitivos e PvP, agora que habilidades historicamente ignoradas ganharam nova vida.
Fim do famoso exploit 60/60
O update também resolveu um problema antigo. Um bug no painel de equipamentos PvP permitia a criação de itens impossíveis de obter normalmente — os famosos “60/60”. A falha foi corrigida, e a equipe confirmou que uma atualização futura removerá upgrades inválidos criados por esse exploit.
Para o cenário competitivo, é uma mudança silenciosa, mas importante.
Loja integrada ao Steam começa a ser testada
Além do balanceamento, a ArenaNet confirmou o início do rollout de uma nova loja in-game integrada ao Steam Wallet. O sistema já está no código do jogo, mas será liberado gradualmente para jogadores que acessam Guild Wars via Steam.
Durante os testes, alguns usuários poderão ver o botão da loja em modo de manutenção. Quem joga usando login por e-mail continuará utilizando a loja web tradicional.
O que muda daqui para frente
Este update sinaliza algo maior do que simples ajustes técnicos. Ele mostra que Guild Wars ainda tem espaço para evoluir, mesmo décadas após seu lançamento. Mais builds viáveis, correções de longo prazo e uma infraestrutura moderna de loja indicam um cuidado renovado com o jogo.
Para um título que muitos já consideravam “congelado no tempo”, o patch de fevereiro prova o contrário.
Um clássico que se recusa a ficar parado
No fim das contas, Guild Wars segue fazendo o que sempre fez de melhor: surpreender. Seja com um ex-desenvolvedor ressurgindo para balancear o jogo ou com sistemas modernos sendo integrados aos poucos, o clássico da ArenaNet mostra que ainda tem fôlego — e histórias — para contar.



