- Início Games É o fim de Dreadmyst? Steam remove MMORPG após ofensiva legal da NCsoft e passado sombrio do criador

É o fim de Dreadmyst? Steam remove MMORPG após ofensiva legal da NCsoft e passado sombrio do criador

O que parecia ser apenas mais um lançamento independente no concorrido mercado de RPGs online transformou-se em um thriller jurídico e comunitário. Apenas duas semanas após sua estreia, o MMORPG de fantasia Dreadmyst foi banido do Steam. O motivo? Uma notificação pesada de direitos autorais enviada pela gigante sul-coreana NCsoft, que alega o uso indevido de suas propriedades intelectuais dentro do projeto.

Dreadmyst surgiu prometendo uma experiência clássica, mas não demorou para que os jogadores mais atentos notassem semelhanças desconfortáveis. Elementos visuais e sonoros pareciam “emprestados” de títulos como Aion, Lords of the Fallen e até do card game Magic: The Gathering. A NCsoft foi incisiva: em sua notificação oficial, a empresa reforçou que comprar pacotes de recursos em sites de terceiros — a justificativa usada pelo desenvolvedor — não concede o direito legal de usar arquivos protegidos em projetos comerciais.

A situação ganhou contornos ainda mais dramáticos quando usuários do Reddit começaram a investigar o passado do homem por trás do jogo, conhecido como Xjum. De acordo com as discussões na comunidade, ele seria uma figura já conhecida (e infame) na cena de servidores piratas de World of Warcraft. A descoberta lançou uma sombra de desconfiança sobre a legitimidade de todo o projeto, alimentando teorias de que o jogo poderia ser uma fachada para coleta de dados, dada a ausência de monetização clara e diversos problemas técnicos.

Em uma tentativa desesperada de limpar sua imagem, Xjum tomou uma medida drástica: publicou o código-fonte de Dreadmyst. O objetivo era provar que o motor do jogo era original e que não havia malware escondido nos arquivos. Embora a comunidade tenha confirmado que a base técnica era autêntica, isso não resolveu o problema central da violação de direitos autorais. Enquanto a equipe corre para substituir os sons e modelos de Aion, os servidores seguem ativos apenas para quem já havia baixado o título.

O impacto para os jogadores é um misto de frustração e fascínio mórbido. Enquanto alguns tentam salvar o que resta do jogo criando mods, outros denunciam o uso de bots para inflar críticas positivas e atrair streamers. O futuro de Dreadmyst agora é incerto; mesmo que retorne à loja da Valve, a confiança do público foi seriamente abalada por um lançamento que mais parece um mosaico de arquivos pirateados do que uma obra autoral.

No fim das contas, o caso serve como um lembrete brutal para desenvolvedores independentes: o atalho de usar assets de terceiros sem a devida diligência pode ser o caminho mais rápido para o esquecimento. Se Dreadmyst conseguirá renascer das cinzas com uma identidade própria ou se será apenas mais uma nota de rodapé nos tribunais da NCsoft, só o tempo dirá.


Rolar para cima