A Valve decidiu atualizar discretamente, mas de forma significativa, as diretrizes que regem a publicação de jogos na Steam. Em um movimento que reflete a evolução rápida das ferramentas de desenvolvimento em 2026, a gigante do PC gaming mudou as regras sobre como os estúdios devem reportar o uso de Inteligência Artificial em seus projetos.
Desde 2024, a plataforma mantinha uma postura rígida: qualquer desenvolvedor que utilizasse ferramentas baseadas em IA precisava sinalizar isso explicitamente na página da loja. No entanto, o cenário mudou. A partir de agora, o uso de IA focado puramente na assistência de codificação não exige mais o selo de aviso obrigatório para os consumidores.
O que muda na prática?
A distinção feita pela Valve separa o “trabalho de bastidores” do “produto final”. Se um estúdio utiliza ferramentas para otimizar linhas de código ou buscar soluções de programação, isso passa a ser tratado como um recurso padrão de desenvolvimento, invisível ao jogador final.
Contudo, a transparência continua obrigatória onde ela mais afeta a experiência do usuário. Os desenvolvedores ainda são obrigados a declarar o uso de IA se ela for utilizada para:
- Gerar conteúdo do jogo: Imagens, arquivos de áudio, textos ou assets 3D pré-renderizados.
- Material de Marketing: Artes e descrições usadas na vitrine da Steam.
- Geração em Tempo Real: Sistemas que criam conteúdo (como diálogos de NPCs ou texturas) dinamicamente enquanto o jogador avança na campanha.
O crescimento exponencial da IA na Steam
Essa mudança chega em um momento onde o volume de títulos utilizando essas tecnologias explodiu. Para se ter uma ideia do impacto, em 2024, apenas cerca de 1.000 jogos na plataforma possuíam a marcação de “IA” em suas fichas técnicas.
Já nos primeiros seis meses de 2025, esse número saltou para quase 8.000 títulos. Esse crescimento forçou a Valve a reavaliar o que é realmente relevante para o consumidor saber.
O impacto para a comunidade
Para os jogadores, essa alteração limpa um pouco a poluição visual das páginas da loja. O aviso de “Uso de IA” passa a servir como um indicativo de que a arte, a voz ou a narrativa tiveram intervenção algorítmica, e não apenas que o programador usou um assistente para escrever o código mais rápido.
A comunidade gamer, que sempre debateu calorosamente sobre a autoria e a qualidade dos assets gerados por máquina, agora terá uma distinção mais clara entre o uso da tecnologia como ferramenta de produtividade e o uso como substituto criativo.
A Valve parece estar buscando um equilíbrio delicado. Ao remover a obrigatoriedade de aviso para o código, a empresa normaliza a IA como uma ferramenta de trabalho técnica, ao mesmo tempo em que protege o direito do consumidor de saber se a arte que ele está comprando foi feita por humanos ou gerada por algoritmos. Resta saber como os grandes estúdios e os desenvolvedores indies vão adaptar suas declarações com essa nova flexibilidade.
Fonte: https://bit.ly/3Pf3Rj2



