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Banimento do Roblox na Rússia gera protestos raros e revolta entre jovens

A decisão do governo russo de bloquear o acesso ao Roblox acabou indo muito além de uma simples medida regulatória. No último domingo, dezenas de pessoas enfrentaram o frio e a neve na cidade siberiana de Tomsk para protestar contra o banimento da popular plataforma de games, em um ato que rapidamente chamou atenção por representar uma rara manifestação pública de descontentamento no país.

O bloqueio aconteceu no início do mês, quando o Roskomnadzor, órgão regulador da mídia na Rússia, confirmou a restrição ao Roblox, acusando a plataforma de hospedar “materiais extremistas” e promover “propaganda LGBT”. Segundo as autoridades, o sistema de moderação do jogo permitiria a circulação de conteúdos que poderiam “prejudicar o desenvolvimento espiritual e moral das crianças”.

Criado nos Estados Unidos, o Roblox é hoje um dos maiores fenômenos globais entre crianças e adolescentes, permitindo que usuários criem, compartilhem e monetizem seus próprios jogos. Para muitos jovens russos, o banimento significou não apenas perder acesso a um jogo, mas também a comunidades online, amigos e itens virtuais adquiridos ao longo dos anos.

Em Tomsk, a cerca de 2.900 km de Moscou, manifestantes seguraram cartazes feitos à mão com frases como “Hands off Roblox” e “Roblox é vítima da Cortina de Ferro digital”, em um protesto realizado no Parque Vladimir Vysotsky. As imagens circularam rapidamente nas redes e viralizaram fora da Rússia, reforçando o peso simbólico do ato.

O bloqueio reacendeu um debate antigo no país: até que ponto a censura é eficaz em um mundo digital? Muitos jovens questionaram a lógica de uma proibição que pode ser facilmente contornada com o uso de VPNs, algo já comum entre usuários russos desde outros bloqueios a plataformas estrangeiras. Outros apontaram a falta de alternativas locais capazes de substituir serviços globais já consolidados.

Entre pais e educadores, porém, existem preocupações antigas envolvendo o Roblox, especialmente sobre a exposição de crianças a conteúdos sexuais ou ao contato com adultos mal-intencionados. Em resposta, a empresa afirmou manter “proteções rigorosas integradas” para garantir a segurança dos usuários, reiterando seu compromisso com moderação e bem-estar infantil.

O governo russo, por sua vez, sustenta que a censura é necessária para se defender de uma suposta “guerra de informação” conduzida pelo Ocidente e para proteger valores tradicionais. Dentro desse discurso, entram desde conteúdos extremistas até qualquer material relacionado à comunidade LGBT, frequentemente classificado como influência cultural “decadente”.

A reação ao banimento do Roblox foi descrita por autoridades como algo sem precedentes. Além dos protestos físicos, milhões de crianças e adolescentes iniciaram campanhas online, incluindo vídeos e mensagens pedindo a reversão da decisão. Segundo o secretário do Kremlin, a administração presidencial chegou a ser inundada por mensagens de jovens criticando a medida.

A polêmica ganhou ainda mais força quando Yekaterina Mizulina, chefe da Safe Internet League e figura alinhada ao Kremlin, criticou publicamente o bloqueio. Ela afirmou que, após a restrição, “a cada duas crianças” entre 8 e 16 anos escreviam dizendo querer deixar a Rússia, e publicou capturas de mensagens de jovens revoltados com a perda do acesso ao jogo.

Vale lembrar que a Rússia não é o único país a banir o Roblox. Nações como Iraque e Turquia também já adotaram medidas semelhantes, citando riscos de abuso infantil. Ainda assim, no contexto russo, o impacto foi ampliado pelo histórico recente de bloqueios a serviços como WhatsApp, Snapchat e FaceTime, parte de uma estratégia mais ampla de controle sobre tecnologias estrangeiras.

A própria Roblox Corporation, sediada na Califórnia, já havia cooperado com reguladores russos no passado, removendo jogos com personagens ou símbolos LGBT após reclamações oficiais. Com o banimento total agora em vigor, o futuro da plataforma no país segue incerto.

O caso expõe um choque direto entre controle estatal e cultura digital global — e mostra que, mesmo em ambientes altamente restritivos, o impacto de um jogo pode ir muito além da tela.

Fonte: MSN

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