A KFTC, órgão que regula práticas comerciais na Coreia do Sul, aplicou uma nova e pesada sanção contra a Webzen após descobrir que o estúdio divulgava informações enganosas sobre as chances reais de obtenção de itens raros em MU Archangel. A decisão, que inclui multa e obrigação de compensar jogadores prejudicados, reacendeu o debate sobre transparência em jogos mobile.
A investigação revelou que as loot boxes do MMORPG mobile exibiam probabilidades aparentemente claras — algo entre 0,25% e 1,16% para itens raros. Mas, nos bastidores, o sistema era calibrado para bloquear totalmente essas recompensas até que o jogador coletasse cada item comum mais de 50 vezes. Na prática, a chance de conseguir algo realmente valioso era 0% nas primeiras tentativas, o que gerou frustração e desconfiança na comunidade.
A KFTC determinou que o mecanismo não apenas infligia expectativas irreais como induzia jogadores a gastar mais na esperança de quebrar o ciclo de azar. A punição: uma multa de 158 milhões de wons, cerca de 93 mil euros, e a exigência de que a Webzen implemente medidas concretas para impedir que algo semelhante volte a ocorrer.
O caso ganhou ainda mais força quando o órgão descobriu um segundo problema: o estúdio compensou apenas 860 jogadores, mesmo tendo prejudicado mais de 20 mil compradores das loot boxes manipuladas entre 2020 e 2024. Para a agência, deixar a maior parte da comunidade sem reparação também constitui uma prática lesiva — e isso elevou a gravidade da decisão.
Nos fóruns coreanos, jogadores comentaram que “já desconfiavam do sistema”, enquanto outros afirmaram que a decisão abre um precedente importante para o mercado local. Analistas enxergam na postura firme da KFTC um recado direto às empresas que apostam em mecânicas agressivas para monetizar: a era da opacidade está cada vez mais curta.
Para quem joga MU Archangel, a medida significa — ao menos em tese — um ambiente mais transparente e protegido. E para o restante da indústria sul-coreana, o impacto tende a ser ainda maior: a partir de agora, não basta abandonar práticas duvidosas; será preciso compensar quem foi prejudicado no passado.
No fim, o caso da Webzen reforça uma tendência global: sistemas de loot box estão sob escrutínio, e qualquer tentativa de manipulação pode custar caro. A decisão da KFTC adiciona mais um capítulo à relação tensa entre monetização agressiva e confiança dos jogadores — e promete influenciar os próximos passos de todo o mercado asiático.



