A chegada de Visions of Eternity, nova expansão anual de Guild Wars 2, marcou um dos inícios mais promissores da atual fase do MMO. A comunidade elogiou o ritmo, o frescor e a densidade das novas áreas — mas, como muitos jogadores lembraram, o verdadeiro teste começa agora. Após anos de expansões que estreiam forte e perdem fôlego nos meses seguintes, a questão central é simples: será que a ArenaNet finalmente encontrou uma cadência capaz de sustentar o hype?
A expansão mantém o formato adotado desde 2023: lançamentos anuais menores, distribuídos ao longo do ano. A proposta trouxe consistência, mas também colocou pressão no estúdio, que já sofreu com histórias que tentavam abraçar mais do que o cronograma permitia. Visions of Eternity, porém, mostra um estúdio mais seguro, que aprendeu com os tropeços de Secrets of the Obscure e Janthir Wilds.
O pacote abre com duas novas áreas — Shipwreck Strand e Starlit Weald — que rapidamente chamaram atenção pela densidade de conteúdo e pelo retorno ao senso de descoberta. Jogadores comentaram que Shipwreck Strand, com sua vila de náufragos e túneis submersos construídos para exploração, resgata a sensação clássica de “o que será que existe aqui?”. A ênfase na Skimmer, agora mais integrada como montaria subaquática, reforçou esse clima.
Já Starlit Weald, com sua selva vibrante e foco nas ruínas místicas dos Seer, trouxe o caos organizado que os fãs pediam. Eventos frequentes, criaturas alteradas pela Inquest e um mapa que parece “vivo” a cada curva fazem dele um contraponto direto ao segundo mapa de Janthir — considerado pela comunidade como amplo, mas vazio.
Mas o ponto que realmente mudou a conversa foram as novas especializações de elite. Depois de expansões anuais que ofereciam apenas uma arma extra para cada profissão, a volta de specs completas reacendeu o meta e abriu espaço para experimentação. O Antiquary para Ladino, por exemplo, ganhou destaque após ajustes que transformaram seu sistema de artefatos em algo mais estratégico. Do outro lado, o novo Ritualista de Necromante virou febre no mundo aberto — forte, acessível e barulhento o suficiente para causar pequenas guerras visuais nos eventos.
Nas redes, a discussão gira em torno de um consenso: a abertura é excelente, mas o histórico recente deixa os jogadores cautelosos. “O começo é incrível, mas já vimos isso antes”, comentou um usuário em fóruns internacionais, ecoando o sentimento geral de que o estúdio ainda precisa provar que consegue finalizar uma expansão tão bem quanto começa.
E isso importa porque Visions of Eternity chega em um momento decisivo. As duas expansões anteriores sofreram com atualizações finais que entregaram menos do que prometiam, e a ArenaNet agora aposta em uma estratégia diferente: focar o próximo grande update em melhorias de qualidade de vida enquanto as equipes narrativas e de mundo trabalham com mais folga nas fases finais.
Se a aposta der certo, o ciclo anual pode finalmente entrar em equilíbrio. Se não, a sensação de “mais do mesmo” pode voltar a rondar Tyria — especialmente em um jogo cuja identidade sempre foi marcada por ousadia, mapas experimentais e narrativas vivas.
Por enquanto, o clima é positivo. Visions of Eternity entrega um início forte, divertido e cheio de personalidade. Mas, como qualquer veterano de Guild Wars 2 sabe, começo bom não garante final épico. A expansão tem um ano inteiro para mostrar a que veio — e talvez definir o futuro de todo o modelo anual do MMO



