Pesquisadores afirmam que a Steam pode estar sendo usada para radicalização política
Um novo estudo acadêmico publicado em 12 de agosto de 2025 tem causado controvérsia ao apontar que a Steam, principal plataforma digital de distribuição de jogos para PC, estaria funcionando como uma rede social propícia à radicalização política — especialmente associada a discursos de extrema direita. A pesquisa, conduzida por estudiosos de uma universidade norte-americana, sugere que o ambiente interativo e comunitário da plataforma estaria sendo usado para disseminar ideologias extremistas.
Estudo acusa a Steam de facilitar discurso extremista
De acordo com os pesquisadores, a Steam vai muito além de uma simples loja de games: ela seria uma rede social onde os usuários podem criar listas, grupos, páginas e trocar mensagens. Essa estrutura teria permitido a formação de comunidades com discursos políticos e ideológicos intensos, incluindo a presença de grupos ecofascistas e perfis ligados a pautas consideradas extremistas.
A publicação ainda aponta que a ausência de moderação rígida nos fóruns e perfis públicos facilitaria a propagação de conteúdos considerados radicais ou discriminatórios. Para os autores do estudo, seria necessária uma reformulação nas políticas de segurança e vigilância da plataforma para evitar abusos.
Jogos citados no relatório e o debate sobre radicalização
O relatório menciona que alguns títulos populares, como Counter-Strike 2 e Hearts of Iron IV, aparecem frequentemente em comunidades associadas ao comportamento investigado. Segundo os pesquisadores, o problema não estaria nos jogos em si, mas na forma como são utilizados como ponto de encontro para grupos ideológicos.
Em especial, Hearts of Iron IV, um simulador de Segunda Guerra Mundial, foi apontado por permitir ao player controlar regimes históricos como o nazismo — o que teria sido interpretado por alguns como um “estímulo simbólico”. No entanto, especialistas e jogadores defendem que o contexto histórico e o caráter de simulação não têm relação com apologia, e que a interpretação dos dados do estudo seria exagerada.
Comunidade reage e questiona as conclusões
A reação da comunidade gamer foi imediata. Muitos players argumentam que o estudo ignora a natureza social e espontânea das interações online. Para eles, o fato de pessoas com interesses semelhantes se reunirem não implica em radicalização, mas sim em comportamento gregário e tribal, comum em qualquer rede social.
Outros apontam que o foco em “grupos de direita” é parcial, deixando de lado movimentos extremistas de outras ideologias. O vídeo que repercutiu o estudo critica ainda o que chama de “dupla moral” acadêmica, onde apenas um lado político seria responsabilizado pela polarização.
Propostas de moderação e preocupações com privacidade
Entre as medidas sugeridas por alguns pesquisadores, estariam a implementação de verificações de identidade e reconhecimento facial para reduzir contas falsas e discursos de ódio. Essa ideia, no entanto, levantou preocupações entre jogadores e especialistas em privacidade digital, que veem riscos de vigilância excessiva e violação de dados pessoais.
Para críticos, a solução estaria em educação digital e não em monitoramento. A discussão promete se estender, e a Steam — pertencente à Valve Corporation — ainda não se pronunciou oficialmente sobre as conclusões do relatório.
Em resumo, o estudo reacende um debate complexo sobre liberdade de expressão, anonimato e segurança digital dentro de plataformas de jogos. A fronteira entre moderação e censura segue cada vez mais tênue, e a comunidade global observa com atenção os próximos desdobramentos.
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